Quando terminei o Ensino Médio, decidi que cursaria Fisioterapia. E assim fiz. As pessoas que me conheciam, que sabiam sobre meu amor pelo palco me perguntavam: "Mas por que não teatro?". Teatro? Teatro, não! Muito inseguro, muito dificil...Teatro não! Mas, já cursando Fisioterapia na Unisinos, e morrendo de saudade do "fazer teatral", resolvi que iria prestar vestibular para Teatro e, se passasse, cursaria aos poucos, só pelo amor, sem o objetivo profissional. Só pelo prazer.
Em 2004, ainda na Fisioterapia, ingressei no Teatro, na época ainda Artes Cênicas, na UFRGS. Aos poucos, a ordem foi se invertendo, a Fisio perdendo espaço, até que, em 2007 larguei a Fisioterapia durante uma aula (sim, saí da sala enquanto o professor de Farmacologia falava sobre coisas que eu não queria entender) e assumi de vez a minha escolha : TEATRO? TEATRO, SIM!!! TEATRO PRA SEMPRE!!!
Cursei o Bacharelado com toda a paixão necessária a um ator, pois, como disse Nelson Rodrigues : "Sem paixão não dá nem pra chupar um picolé.". Mas Licenciatura não! Professorinha de teatro não! Me via, como ainda me vejo, atriz. Não há nada mais gostoso do que entrar no palco, sentir o cheiro, conhecer as coxias, ter o corpo aquecido pela luz, estudar um texto, suar, rir e chorar, enlouquecer nos ensaios. E, pra mim, a Licenciatura afastava o profissional da prática. Acalmava-o. Eu não queria essa calma. Licenciatura não !
Mas, com a formatura veio aquilo que eu chamo de Limbo. Vagando no espaço que se criava quando não estava nem no palco, nem na sala de aula. E aos poucos, pra não assustar, fui assimilando a idéia de voltar pra UFRGS, agora para a Licenciatura. Licenciatura? Está bom...pode ser!
Sou atriz, sempre vou ser atriz. Toda vez que entrar em uma sala de aula para trabalhar com alunos, serei atriz. E percebi que poderia ser assim através dos professores-artistas com os quais me envolvi, aprendi, troquei durante a minha primeira formação. Licenciatura sim ! Vamos lá!!
Na imagem, Ciça Heckziegel e Gisela Habeyche, atrizes-professoras-artistas-mestres, com o ator Thiago Pirajira, em trabalho da Usina do Trabalho do Ator (UTA)
Muito bonita tua trajetória, Ariane! Sabe que comigo aconteceu algo muito parecido! Cursava a faculdade de História na FAPA e no meio de uma aula de História da América eu me dei conta que não queria aquilo naquele momento. Fui estudar Teatro, e hoje aqui estou, cursando Teatro Licenciatura. Os questionamentos expostos por ti em relação à docência e ao Teatro também fazem parte da minha rotina, "será que não estou me afastando, não estou sendo menos atriz por estar me dedicando ao ensino do Teatro?" , mas acredito que essa paixão que tu demonstras ter por esta arte é essencial e nos aproxima dela, fazendo com que o fazer teatral se multiplique e se construa de formas diferentes e por um número cada vez maior de pessoas. Boa sorte na multiplicação da tua paixão!
ResponderExcluirAbraços, Anelise.
Oi Ariane,
ResponderExcluirPassei por aqui e não resisti a deixar um comentário diante da tua narrativa tão apaixonada. Acredito que as tuas certezas sobre a tua identidade, assim como a tua paixão pela arte darão o tom ao teu fazer docente. Tudo aquilo que se faz com paixão tem mais "sabor", mais "sentido"...Estou certa que farás a diferença em todos os palcos por onde passares...
Um carinhoso abraço e até breve!