terça-feira, 25 de outubro de 2011

PAI, QUANTO É QUE TU SABES?

Filha: Pai, quanto é que tu sabes?

Pai: Eu? Hum! Tenho cerca de uma libra de conhecimento.

Filha: Não sejas assim. É uma libra em dinheiro ou uma libra em peso? O que eu

quero é saber quanto é que tu sabes?

Pai: Bem, o meu cérebro pesa cerca de duas libras e suponho que só uso uma quarta

parte dele, ou que o uso com cerca de um quarto de eficiência. Portanto, digamos,

meia libra.

Filha: Mas tu sabes mais do que o pai do João? Sabes mais do que eu?

Pai: Hum! Conheci uma vez na Inglaterra um rapazinho que perguntou ao pai: “Os

pais sabem sempre mais que os filhos?” e o pai respondeu: “Sim”. A pergunta

seguinte foi: “Pai, quem inventou a máquina a vapor?”, e o pai disse: “James

Watt”.Então o filho respondeu: “Mas então por que é que não foi o pai dele que a

inventou?”

Filha: Isso já eu sabia. Sei mais que esse rapaz porque sei porque é que o pai de

James Watt não inventou a máquina a vapor. Foi porque outras pessoas tiveram de

pensar noutras coisas antes que alguém pudesse fazer uma máquina a vapor. Quero

dizer que qualquer coisa como... não sei... mas teve de haver outra pessoa que

descobrisse o óleo antes que alguém pudesse fazer um motor.

Pai: Sim, isso estabelece a diferença. Quero dizer que isso significa que todo

conhecimento está como se fosse um tricô, uma malha, como se fosse um tecido, e

que cada peça do conhecimento só faz sentido ou é útil por causa das outras peças

e...

Filha: Achas que o devias medir a metro?

Pai: Não, não acho.

Filha: Mas é assim que se compram os tecidos.

Pai: Sim, mas eu não disse que era tecido. É só parecido, e certamente não é plano

como o tecido, mas em três dimensões, talvez quatro.

(...) O que nós temos que pensar é como é que as peças do conhecimento estão

entrelaçadas umas nas outras. Como é que elas se ajustam umas às outras.

Filha: (...) Pai, já alguém mediu alguma vez quanto é que qualquer outra pessoa

sabia?

Pai: Oh, sim. Muitas vezes. Mas não sei exatamente o que é que esses resultados

querem dizer. Eles fazem isso com exames e testes e questionários, mas é como tentar

saber o tamanho duma folha de papel atirando-lhe pedras.

Filha: O que é que queres dizer?

Pai: Quero dizer que, se atirares pedras a duas folhas de papel à mesma distância e

acertares mais vezes numa que na outra, provavelmente aquela em que acertaste

mais vezes é maior que a outra. Da mesma maneira, num exame atiras uma série de

perguntas aos alunos e, se acertares em mais pedaços de conhecimento num aluno do

que nos outros, então pensas que esse aluno deve saber mais. É essa a idéia.

Filha: Mas podia medir-se uma folha de papel dessa maneira?

Pai: Claro que se podia. Até seria uma boa maneira. Medimos uma série de coisas

desse modo.

Filha; (...) Mas então, porque é que não podemos medir o conhecimento dessa

maneira?

Pai: Como? Por questionários? Não. Que Deus Nosso Senhor nos proíba. O

problema é que esse tipo de medida deixa de fora o teu ponto: que há tipos diferentes

de conhecimento e que há conhecimento acerca do conhecimento.

(BATESON, Gregory. Metadialogos. Trajectos. Lisboa: Gradiva, 2 ed, 1989, p.37-45)

É assim que penso na educação e é isso que quero proporcionar aos alunos com quem iremos (Fernanda, Janifer e eu) trabalhar. Construção de conhecimento como uma rede. Rede esta que tecemos juntos, alunos, colegas e eu, com as experiências e as descobertas que iremos viver juntos.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Primeiro encontro de um novo grupo...
Hoje, e reunindo com as colegas Fernanda e Janifer, tive a oportunidade de pensar e atividades para uma aula de teatro e sociologia. E será que existe alguma aula de teatro sem sociologia? Acho que não...
Pois bem...encontramos, facilmente, caminhos a serem trilhados, exercícios, atividades. Afinal, como a minha ação influencia na ação do outro? Como eu interfiro no grupo? Como o grupo interfere em mim? Qual a minha visão sobre o meu colega? sobre o meu professor? sobre o meu aluno?Como faço para perceber nele coisas que ainda não tinha percebido? Como posso me colocar no lugar dele? Como faço para me enxergar através dele?
Acredito que uma boa experiência está para começar...